Em qualquer povo, raça ou nação; em qualquer tempo, é presente a
crença em um SER SUPREMO; DEUS. A crença na existência de Deus é praticamente
tão difundida quanto a própria raça humana, embora muitas vezes se manifeste de
forma pervertida ou grotesca e revestida de idéias supersticiosas. É evidente
que o mesmo Deus que fez a natureza, com suas belezas e maravilhas, fez também
o homem dotado de capacidade para observar, através da natureza, o seu Criador;
DEUS. "Porquanto o que se pode conhecer de Deus, neles está manifesto;
pois Deus lho manifestou. As perfeições invisíveis dele, o seu poder eterno, e
a sua divindade, claramente se vêem desde a criação do mundo, sendo percebidas
pelas suas obras" (Rom. 1:19,20).
Deus não fez o mundo sem deixar certos sinais, sugestões e evidências claras, que falam das obras das suas mãos. "Mas os homens conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem deram graças, antes se enfatuaram nas suas especulações e ficou em trevas o seu coração insensato" (Rom. 1:21). O pecado fez embaçar a sua visão; perderam a vista a Deus e, em vez de ver a DEUS através da criatura, desprezaram-no pela ignorância e adoraram a criatura. Foi desta maneira que começou a idolatria. Mas até isto prova que o homem é criatura adoradora e que forçosamente procura um objeto de culto.
Esta crença universal em Deus é prova de quê? É prova de que a natureza humana é constituida da crença em um Ser superior. É a aceitação dum Ser acima das forças da natureza. Um sentimento de dependencia de Deus como quem domina o destino do homem. Desta maneira vemos que o homem, por natureza, é constituído para crer na existência de Deus, para confiar na sua bondade, e para adoralo. Este sentimento religioso não se encontra nas criaturas inferiores. Por mais que procurassem ensinar religião ao mais elevado dos seres inferiores, é em vão. Falta ao animal a natureza religiosa. Só no homem essa natureza religiosa é encontrada.
Certamente,
se em algum lugar se haja de procurar ignorância de Deus, em nenhuma parte é
mais provável encontrar exemplo disso que entre os povos mais distanciados da
civilização humana. E todavia, não há nenhuma nação tão bárbara, nenhum povo
tão selvagem, no qual não esteja profundamente arraigada esta convicção: Deus
existe!
O argumento baseado na crença universal não pode ser desprezado. O
homem em toda parte acredita na existência de um Ser Supremo ou Seres a quem
moralmente responsável e a quem necessita oferecer propiciação.
Deus a
todos, sem exceção, exibe sua divina majestade na criação e nas criaturas,
contudo é necessário adicionar outro e melhor recurso que nos dirija retamente
ao próprio Criador do universo e a um conhecimento pleno de sua vontade, reta
adoração e devoção. Portanto, Deus não acrescenta em vão a luz de sua
Palavra para que a salvação se fizesse conhecida.
Em seu estudo sobre a natureza da religião,
Mircea Eliade, especialista em historia das religiões, argumenta que para o
homem religioso a criação nunca e apenas natural; esta repleta de valor
religioso. Isso porque o mundo esta impregnado com as qualidades do sagrado.
Os deuses do homem religioso manifestaram as modalidades diferentes do sagrado
na própria estrutura do mundo e do fenômeno cósmico.
A forma de entender a relação entre o divino e a criação pode variar nos
detalhes. Mas duvidas quanto ao fato da existência de uma revelação divina na
criação não foram levadas a serio ate a era moderna, e isso somente nas
sociedades ocidentais secularizadas. A dessacralização da criação e um
acontecimento recente na historia do ser humano. Na sua experiência do
dia-a-dia, as pessoas enfrentam algo no mundo natural que as leva a pensar no
transcendente. A questão e: qual a natureza dessa revelação?
A questão da natureza da revelação divina na criação e importante, porque
e a partir dessa percepção que muitas das religiões tem sido construídas. Mas a
diversidade das interpretações dessa revelação coloca em duvida a suficiência
do conhecimento assim derivado. As interpretações que diferentes culturas tem
feito do sagrado são de deuses diferentes, com diferentes exigências e
diferentes relações com a criação e o ser humano. Será que e possível chegar a
verdade sobre Deus por meio da criação? Tal conhecimento e adequado para atender
as necessidades das pessoas? É possível encontrar a salvação na revelação
geral?
Na teologia cristã, a revelação geral inclui o que é revelado sobre Deus
por meio da criação, da historia e da lei moral no coração humano. Os pais da
igreja foram os primeiros a tentar esboçar uma explicação satisfatória para a
doutrina da revelação.
A revelação natural é usada para comprovar a existência de Deus e
descobrir algo sobre seus atributos, a partir dos fatos e evidencias observados
na criação. Começa com crenças acerca do mundo consideradas comuns e aceitas
por todas
as pessoas, sejam cristas ou não, e, partindo dai, constrói argumentos
para chegar a Deus.
Por ser fundamentada na criação e na lógica, essa teologia não mostra um
quadro completo de Deus. Segundo ela, Deus pode ser descoberto assim, mas o
conhecimento de doutrinas como a Trindade e a redenção depende da revelação
bíblica.
Martinho Lutero reconheceu a revelação geral na forma de um conhecimento
inato da existência de Deus, que todo ser humano tem, e do qual ninguém pode
fugir. A lei moral de Deus esta escrita no coração das criaturas, de forma que
todos tem um testemunho do que e certo e errado. Em seu comentário sobre
Romanos 1, Lutero afirmou que todos são responsáveis diante de Deus, pois
Deus se revela claramente na criação. Lutero escreveu:
E necessário, nas
passagens seguintes [Rm 1.18-32], entender que a censura se refere
a todos os povos e a
toda a massa perdida do genero humano. Pois este e o objetivo do
apostolo: revelar
Cristo como o salvador de todos, não somente dos romanos e dos judeus
que viviam em Roma.
(...)
O fato de que ele
fala a respeito do conhecimento natural fica manifesto a partir daquilo
que ele acrescenta
mais abaixo, sobre o modo como Deus se manifestou a eles, a saber,
que os seus
atributos invisiveis são percebidos claramente desde o começo do mundo,
atraves de suas
obras [1.20] (isto e: sao naturalmente conhecidos a partir dos efeitos),
ou seja: desde o
inicio do mundo sempre foi assim que os seus atributos invisiveis são
percebidos. Afirma
isso para que ninguem venha sofismar que somente em nosso tempo
Deus pode ser objeto
de conhecimento. Deus podia, e ainda pode, ser conhecido desde o
começo do mundo e por
todo o sempre. (...)
Que a noção de Deus -
como diz aqui [o apostolo] - tenha sido manifestada claramente a
todos, mas
principalmente aos idolatras, de modo que possam ser convencidos, sem recorrer
a desculpas, de que
conheceram os atributos invisiveis de Deus, sua própria divindade, bem
como sua eternidade e
seu poder, prova-se a partir do fato de que todos que constituiram idolos
e os veneraram,
também os chamaram de deuses ou de deus. (...) Erraram, porem, quando não
conservaram essa
divindade pura e não a adoraram nesta mesma condição, mas a submeteram
a seus desejos e
anseios, ajustando-a aos mesmos. Cada qual queria ver a divindade naquilo
que lhe agradava e,
assim, transformaram a verdade de Deus em mentira. (...)
Por essa mesma razão,
também, agora, ha muitos que, como vemos e ouvimos, são
entregues ao seu
próprio e condenável modo de pensar.
Existe na mente humana, e na verdade por disposição natural, certo senso
da divindade, consideramos como alem de qualquer duvida. Ora, para que ninguém
se refugiasse no pretexto de ignorancia, Deus mesmo infundiu em todos certa
noção de sua divina realidade, da qual, renovando constantemente a lembrança,
de quando em quando instila novas gotas, de sorte que, como todos a uma
reconhecem que Deus existe e e seu
Criador, são por seu próprio testemunho condenados, já que não só não lhe
rendem o culto devido, mas ainda não consagram a vida a sua vontade.
Infelizmente,
o conhecimento de Deus que vem ao homem pela criação e ineficaz por causado
pecado.
As especulações filosóficas, sem a luz da Bíblia, são sempre deturpadas e
não levam o homem ao conhecimento correto de Deus. Isso não ocorre pelo fato de
a revelação ser obscura. Ela é clara. Mas a culpa e do homem que reprime a
revelação de Deus. Somente com a luz das Escrituras e a iluminação do
Espírito Santo isso pode ser vencido. Essa revelação não é suficiente para salvar
porque não revela o evangelho, mas é suficiente para condenar justamente todos
os homens.

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